terça-feira, 11 de agosto de 2009

Missa Tridentina em Vitória

Depois da entrega da petição ao Excelentíssimo Arcebispo de Vitória, tivemos a já esperada notícia da negativa. A decisão foi transmitida pessoalmente por um padre da Arquidiocese, que, entretanto, ouviu nossas razões e nos disse que o assunto não morreu.

Não morreu, mas parece estar muito tímido. Infelizmente não tivemos mais nenhuma notícia digna de nota, apenas alguns mais exaltados (passado o susto eu acho que até entendo) publicando nota em jornal, mas parou nisso.

Enfim, continuamos precisando de orações.


"Tuu totus ego sum, et omnia mea tua sunt"

domingo, 9 de agosto de 2009

Com crucifixos ou sem crucifixos?

Faz parte da essência da Modernidade o gostar excessivamente de novidades. Na verdade, na verdade, essa tendência existe em todo homem, que é, salvo quatro únicos exemplos (a saber: Adão, Eva, Jesus e Maria), pecador por natureza. O que a Modernidade faz é se encarregar de potencializar essa característica, desordenando, entre outras coisas, a Felicidade, ensinando que, ao invés da única coisa que poderia nos saciar (Deus), temos que buscá-la nas criaturas (dinheiro, fama, prazer, comida, etc.), que, por suas naturezas finitas, não dão conta da tarefa que lhes foi confiada e deixam sempre a impressão de prévia daquela que será A Verdadeira. É ai que entram as novidades, que trazem consigo sempre esta (falsa) esperança.

Neste país, onde a cultura fortemente católica e algumas outras peculiaridades impediram a modernidade de encontrar solo muito fértil, nossos "modernos" sempre foram obrigados a importar novidades "intelectuais", foi assim com o positivismo, foi assim com o comunismo e com tantas outras barcas furadas. A mais recente delas é a onda de "defesa da laicidade do Estado", que, entre outras besteiras, rendeu recentemente uma "ordem" do Ministério Público Federal para que se retirassem todos os crucifixos das repartições públicas do Estado de São Paulo.

Repare que, como todas as antecessoras, esta última é inimiga mortal da cultura brasileira, que é católica sem carteirinha (porque não precisa de nenhuma chancela do Estado para sê-lo), e quer vê-la desbancada pela única "religião" suportada pela Modernidade, o ateísmo extremista-radical-suicida.

Mais uma vez: dizer que o Estado não tem uma religião oficial é uma coisa, dizer que ele não deve representar o que o seu próprio povo pensa e crê é outra completamente diferente. Além disto, uma escolha deste tipo não é nunca pela "igualdade" entre as "religiões", mas a substituição de uma significativa para a população de um país (tanto no passado, quanto no presente), por outra "professada" por uma ínfima parte dos filhos da Terra de Santa Cruz, o ateísmo.

Como alguns crêem que o inimigo do meu inimigo é meu amigo, acabam desavisadamente abraçando a mesma causa, como é o caso de alguns protestantes, sem saber que desta forma assinam a própria sentença de morte, compactuando com um movimento que mais à frente não exitará em esmagá-las.

Enfim, tudo isto para trazer um ótimo texto publicado pelo Prof. Carlos Ramalhete na Gazeta do Povo sobre o assunto. Segue:

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São Paulo ou “Seu” Paulo?

Publicado em 09/08/2009 | Carlos Ramalhete

O Ministério Público Federal (MPF) mandou tirar os crucifixos das repartições do estado de São Paulo, alegando que a sua presença ofenderia os não católicos. Mas... será que não deveríamos, então, falar do estado de “Seu” Paulo? Mais ainda, do estado do inominável, na medida em que São Paulo, em homenagem a quem o estado foi batizado, ops, nomeado, só recebeu esta homenagem por ter sido apóstolo cristão?

Os judeus ortodoxos dão graças a Deus todos os dias por não terem nascido não judeus (“gói”). São Paulo, ou “Seu” Paulo, escreveu que “não há mais judeu nem grego”. A julgar pelo pensamento do MPF do estado Tal, deve haver um monte de suscetibilidades feridas nesta história. Melhor mudar o nome do estado. Ah, Santa Catarina também dança, assim como todas as cidades com nome de santos. O Estado do Amazonas, que recebeu este nome em homenagem a um povo da mitologia grega, também pode ofender quem não acredita nele. O Rio de Janeiro, por trazer no nome do mês (que também teria que mudar) uma referência à divindade romana Janus, o deus de duas caras, também deve provocar comichões e abespinhar suscetibilidades. Ih, qual será o dano ao turismo provocado pela retirada, à moda Taleban, da imensa estátua do Cristo Redentor que ofende os não católicos que olhem para cima na antiga capital do país?

Creio ser bastante evidente, para quem não faz parte de uma minoria ínfima de gente cuja sensibilidade à flor da pele torna a convivência cotidiana um exercício de masoquismo e suscetibilidades feridas, que o MPF pisou na bola. Epa, eu não gosto de futebol. Devo proibir esta expressão? Não. Se eu não gosto de futebol, o problema é meu. Não posso me ofender com a onipresença do jogo e de suas metáforas.

Ainda mais que futebolista, contudo, a nação brasileira é culturalmente católica. Os nomes de santos são os nomes das pessoas, e a própria noção de bem e de mal é definida em moldes católicos; podemos mesmo dizer que o padrão da sociedade é católico.

Para a imensa maior parte dos brasileiros, católicos ou não, um crucifixo é um símbolo da Justiça, do Bem. Ver uma ofensa a outras crenças na presença de um crucifixo implica necessariamente em vê-la nos nomes de estados e cidades, nos nomes próprios das pessoas, na organização social do país, nos dias da semana, nos meses, no preâmbulo da Constituição Federal...

Querer proibir a presença do crucifixo implica em querer proibir um dado constitutivo da própria nacionalidade brasileira, importar uma noção a nós estranha do que seja a Justiça, o Bem, o certo e o errado. O Brasil não surgiu nem subsiste em um vácuo; temos uma cultura própria, com base lusitana e católica, que independe até mesmo da própria religião seguida por cada brasileiro.

O brasileiro protestante, o brasileiro espírita, o brasileiro judeu, muçulmano ou ateu é em grande medida culturalmente católico. Cada um deles passou a vida dentro de uma sociedade que define seus padrões de comportamento dentro de uma matriz católica e que não pode ser explicada ou compreendida sem constante referência à catolicidade de sua origem, bem como à língua portuguesa, a costumes africanos e indígenas etc.

Ofender-se com símbolos católicos significa, em última instância, ofender-se com o Brasil, significa negar as origens e a presença da cultura brasileira, com todos os seus matizes. Mais ainda: para desgosto dos católicos mais ortodoxos, a percepção brasileira típica destes símbolos católicos frequentemente é operada em chave sincrética, vendo nos santos orixás africanos ou entidades espíritas.

O que neles não se vê, o que apenas o MPF vê, é um instrumento de proselitismo católico. Um crucifixo não faz de um lugar ou de uma pessoa algo católico, tal como o Rio Amazonas não leva ninguém a tomar como verdade a mitologia grega. As imagens sacras, no Brasil, são percebidas como símbolos do Bem e do Justo, não como afirmações de uma dada fé. Melhor seria se o MPF deixasse de lado esta estranha “cruzada” contra os crucifixos e procurasse fazer o bem e promover a justiça.

Carlos Ramalhete é filósofo e professor. <profcarlos@hsjonline.com>

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"Tuu totus ego sum, et omnia mea tua sunt"

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Missa Tridentina na Arquidiocese de Vitória-ES

Só agora vi que tinha exatamente um mês que não atualizava o blog. Como passa rápido.

Para os que acompanham a movimentação para que a missa tridentina seja celebrada na Arquidiocese de Vitória, ou mesmo os que têm interesse em saber o que está sendo feito no território nacional, uma notícia:

Essa semana fomos ter com o excelentíssimo sr. Arcebispo de Vitória, D. Luis Mancilha, para entregar uma petição neste sentido com quase 100 assinaturas (e ficaram faltando algumas). Como já tinhamos o padre, pediamos, na verdade, a liberação de uma igrejinha escondida no centro de Vitória.

Fomos bem acolhidos por nosso pastor, entretanto, a resposta não poderia ser mais negativa. Não só não teríamos a liberação da igreja, como não obtivemos autorização para que o padre, que não é da diocese, celebrasse em qualquer lugar que fosse.

Para não dizer que tudo está perdido, D. Luis recebeu a petição e disse que até o final da semana que vem nos daria uma resposta por escrito. Como milagres acontecem, conto com as orações de vocês para que o nosso pedido seja analisado com carinho e, no final, seja provido integralmente.

Peço, também, orações por D. Luis, que nos fez este mesmo pedido no final da reunião.

No mais, senti um certo preconceito da parte do sr. Arcebispo. Não vou dizer que sem razão, porque, infelizmente, aqui e no mundo, a missa tridentina acaba sendo vista como algo "da oposição", inconscientemente até, e isso tanto de um lado da questão como de outro.

Quem recebe o pleito da missa já acha que está na frente de um clone de um bispo da fsspx, que vai ficar julgando a catolicidade do restante de sua diocese e causando divisão. Quem pleiteia, mesmo que não tenha nada a ver com o pessoal mais radical, acaba tendo que fazer um esforço para não cair no orgulho e para não adotar realmente a identidade de oposição, sobretudo quando é tratado como tal pela outra parte.

Meu desejo é que o grupo se mantenha calmo e submisso a seu pastor, sem, no entanto, esquecer que é direito seu a celebração da missa em sua forma extraordinária. Acho que temos que adotar uma postura reconciliadora, não oposicionista. Temos que mostrar ao sr. Arcebispo que não queremos divisão, não achamos que só porque gostamos da missa tridentina somos mais católicos, nem queremos questionar o Concílio Vaticano II, longe disto.

E acho, também, que se o Arcebispo entender nossa posição, verá que não somos ameaça e que, talvez, a celebração da Santa Missa em sua forma extraordinária não seja causa de divisão, mas uma oportunidade de revalorização da sua forma ordinária.

Rezem por nós todos.



"Tuu totus ego sum, et omnia mea tua sunt"

tô na área

Como sói acontecer com blogueiros "amadores" acabei "aproveitando" a maré de coisas estranhas para deixar o blog um pouco de lado. E ainda me pergunto por que são poucos os corajosos que ainda passam por aqui :-).

Mas, bem, se é verdade que vamos, também voltamos. Eis o blogueiro amador dando sinal de vida e esperando que ainda tenha alguém por aqui.

E aproveitando o dia: "Coração Santo / tu reinarás / o nosso encanto / sempre serás"



"Tuu totus ego sum, et omnia mea tua sunt"

terça-feira, 19 de maio de 2009

Entrevista com Dom Fernando Arêas Rifan


Recebi por email a seguinte entrevista com D. Fernando A. Rifan.

Para quem não está por dentro do assunto faço uma pequena introdução: Dom Fernando fazia parte de um grupo de Campos que vivia em situação semelhante àquela da FSSPX, fazendo forte oposição às inovações posteriores ao Concílio Vaticano II e celebrando a missa apenas na sua forma extraordinária.

Foi ele quem negociou o levantamento da excomunhão e integração do grupo na estrutura da Igreja. Com esta integração ele acabou sendo eleito bispo por SS. João Paulo II, que criou uma Administração Apostólica, com permissão de continuar usando todos os ritos antigos, para englobar os padres e fiéis deste grupo, e o colocou como administrador.

Vamos à entrevista:



Missa antiga: paz litúrgica e benefício para ambos ritos
Entrevista com Dom Fernando Arêas Rifan

Por Alexandre Ribeiro

SÃO PAULO, terça-feira, 19 de maio de 2009 (ZENIT.org)- O bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney (Campos, Brasil), Dom Fernando Arêas Rifan, considera que a permissão universal de Bento XVI para se celebrar a missa antiga (chamada também de missa tridentina) promove a paz litúrgica e beneficia tanto tradicionalistas como progressistas.

A Adminstração Apostólica São João Maria Vianney foi criada por João Paulo II em 2002. É uma diocese de caráter pessoal, não territorial, fundada após diálogo com fiéis tradicionalistas que eram numerosos na região.

Nesta entrevista a Zenit, Dom Fernando Rifan fala sobre o caráter sagrado da liturgia.

–Poderia explicar a diferença entre os termos “sagrado” e “profano”?

–Dom Fernando Arêas Rifan: Um dos motivos pelos quais nós conservamos e amamos a liturgia romana na sua forma antiga –que é chamada atualmente de forma extraordinária do rito romano–, é exatamente porque ela expressa bem o caráter sagrado da liturgia. Não que a outra não expresse, mas esta expressa de modo mais claro. Como, aliás, acontece com a diferença entre os vários ritos. Participei recentemente, ao lado de outros bispos, da Missa no rito maronita. O que os bispos mais admiraram foi o respeito e o caráter sagrado que se expressa naquele rito oriental. São modos de expressar a sacralidade, podemos dizer, o caráter vertical da liturgia, de nós para Deus, e não apenas o horizontal, que seria de homem para homem.

A liturgia é algo sagrado. Portanto, algo que nos fala de Deus. É interessante que qualquer pessoa sabe disso. Uma das coisas mais tocantes da história do Brasil foi aquela passagem da carta de Pero Vaz de Caminha, quando ele narra a primeira missa no Brasil. Ele conta que os portugueses chegaram, os padres formaram o altar, prepararam o órgão e começou a missa. Os índios foram chegando e começaram a imitar os gestos dos portugueses. Um detalhe interessante é que durante a missa chegou um outro grupo de índios. Um índio do primeiro grupo, que já estava ali, quando certamente interrogado por um índio do segundo grupo sobre o que estava acontecendo, apontou para a missa e apontou para o céu. Para mim este é o melhor comentário sobre a missa. Apontou para a missa e apontou para o céu: quer dizer, está-se passando a comunicação da terra com o céu. Está-se fazendo uma coisa sagrada. Esse caráter sagrado é que a gente não pode deixar perder na liturgia.

–Poderia dar exemplos de como se expressa o caráter sagrado?

–Dom Fernando Arêas Rifan: O latim, por exemplo, que nós conservamos na liturgia, mas não em tudo, já que as leituras e os cânticos são em português. O latim que se conserva na liturgia é exatamente para preservar o caráter sagrado, para que todo mundo sinta que ali se passa algo que não é comum no dia-a-dia. É algo diferente. Por isso que a língua é sagrada. Aliás, nas grandes religiões também se usa uma língua diferente. No rito maronita, por exemplo, a consagração é em aramaico. Não é a mesma língua que você fala. Até em outras religiões há uma língua sagrada. Não é a língua comum. Então a liturgia nessas religiões tem uma outra língua. Mesmo o Hino Nacional brasileiro não é no linguajar que se usa a cada dia. Mostra que ali há algo sagrado, é o hino da pátria. Não se precisa entender cada palavra. Precisa entender que é algo sagrado que acontece.

A língua, os gestos, as inclinações, as genuflexões, os símbolos, os panos, as toalhas, tudo tem de exprimir um caráter sagrado. Você não usa uma toalha qualquer. É uma toalha diferente. O espaço celebrativo é diferente. Os cânticos são diferentes. Então não se pode usar aquilo que é comum, profano. A não ser que seja santificado, digamos. O pão, por exemplo, você come; mas o pão eucarístico é diferente. É por isso, por exemplo, que existe o ofertório: a retirada de algo do uso comum que se coloca para uso litúrgico. Assim também com a bênção. Você consagra algo para uso mais sagrado. As vestes sacerdotais, o modo de falar. Outro exemplo: o sermão não é um discurso político, não é para ficar contando piada, não é algo reles. Você está ali para ouvir a palavra de Deus. O “terra a terra” você já ouve toda hora. Para que você precisa disso na Igreja?

–O que o senhor chama de “terra a terra” tem a ver com o termo “profano”?

–Dom Fernando Arêas Rifan: “Profano” vem do latim “pro fanum”, em frente ao templo, fora do templo, não sagrado. Por exemplo, a Igreja diz que o instrumento por excelência a ser usado na liturgia é o órgão de tubos. Ele tem um som que o nosso subconsciente já se acostumou como algo sagrado. A Igreja põe como modelo do canto religioso o canto gregoriano. Porque é um canto em que predomina a oração cantada. A oração de melodia com pouca coisa de harmonia e quase nada de ritmo. Nas músicas modernas, por exemplo, bem profanas, tem-se a predominância do ritmo sobre a melodia e sobre a harmonia. Isso já mostra o caráter profano da música. Ela pode ser boa em outro lugar. É como dizia o próprio cardeal Ratzinger: há muita gente que confunde a igreja com o salão paroquial. Há coisas que você pode fazer no salão paroquial, mas não na igreja. Eu, por exemplo, toco acordeão. Toco música popular. Mas não na igreja. Eu toco no salão paroquial, com as crianças, na quermesse, onde as crianças tocam pandeiro, tamborim. Na igreja é o órgão. É preciso que se ressalte bem o caráter religioso, sagrado, ou seja, a sacralidade na Igreja. Na liturgia há os tempos de silêncio, porque o silêncio é algo bem respeitoso. Na Igreja não se aplaude, como se aplaude em um comício. O silêncio é tão respeitoso que já diz tudo. Não precisa ficar aplaudindo.

Nós preferimos a liturgia tradicional por tudo isso. Mas em qualquer liturgia há que se guardar o caráter religioso, sagrado, e não cair na coisa profana. O próprio Papa João Paulo II lamenta isso na Encíclica Ecclesia de Eucharistia: “às vezes transparece uma compreensão muito redutiva do mistério eucarístico. Despojado do seu valor sacrifical, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesa” (n. 10). Ou, como disse Bento XVI na carta aos bispos apresentando o Motu Próprio Summorum Pontificum, em muitos lugares, não se atendo às prescrições litúrgicas, consideram-se “autorizados ou até obrigados à criatividade, o que levou frequentemente a deformações da Liturgia ao limite do suportável”. Palavra infelizmente verdadeira: liturgia levada ao limite do suportável! E o Papa acrescenta: “Falo por experiência, porque também eu vivi aquele período com todas as suas expectativas e confusões. E vi como foram profundamente feridas, pelas deformações arbitrárias da Liturgia, pessoas que estavam totalmente radicadas na fé da Igreja”.

–Há um renovado interesse pela liturgia tradicional?

–Dom Fernando Arêas Rifan: Muitos padres novos querem aprender a liturgia na forma antiga. Há dois anos eu participei de um congresso em Oxford, na Inglaterra, promovido por grupos locais, para ensinar aos padres a liturgia tradicional. Foi aberto pelo arcebispo de Birminghan. Na missa, ele falou: ‘vocês todos estão aqui para aprender a forma antiga do rito romano. Vocês vão voltar para suas paróquias e celebrar o rito normal, de Paulo VI, mas vão celebrar melhor, porque, aprendendo o rito tradicional, aprenderão mais sacralidade, a rezar com mais devoção, e isso vai ajudá-los’.

O Papa quis isso. Quando ele permitiu a missa tradicional para o mundo todo, na forma extraordinária do rito romano, ele quis exatamente isso: a paz litúrgica, que um beneficiasse o outro. O rito tradicional pode se beneficiar do rito novo na maior participação que este traz; por outro lado, o rito novo vai aprender com o rito antigo a característica de mais sacralidade.

Depois dessa paz litúrgica que o Papa quis entre os dois ritos, para que um beneficie o outro, tem havido muita procura por sacerdotes. Nós mesmos fizemos um DVD para ensinar o rito tradicional. Muitos padres têm aprendido, muitos bispos têm incentivado nas suas dioceses. Acho que isso é muito importante. Conservar a liturgia tradicional como forma de riqueza da Igreja, uma forma litúrgica de expressar os dogmas eucarísticos e o respeito. Não se trata de confronto, de briga, nada disso. É um modo da Igreja, legítimo, aprovado pela Igreja, sem causar nenhum detrimento à comunhão. Evita divisões. O Bispo local patrocinando a Missa no rito tradicional, colocando-a em suas igrejas com sacerdotes regulares e sob sua jurisdição, evita que alguns católicos caiam na tentação de querer ir buscá-la em grupos separados ou cismáticos. O Bispo poderá dizer: “Nós temos aqui, porque ir buscar a Missa no rito romano antigo em outro lugar?”



"Tuu totus ego sum, et omnia mea tua sunt"

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Dos desejos desordenados

1. Todas as vezes que o homem deseja desordenadamente alguma coisa, logo perde o sossego.

O soberbo e o avarento nunca estão sossegados; o pobre, o humilde de espírito vivem em muita paz.

O homem que não é perfeitamente mortificado em si, bem depressa é tentado e vencido em coisas pequenas e vis.

O fraco de espírito e que ainda está inclinado ao que é sensual, com dificuldade se pode desapegar totalmente dos desejos terrenos.

E quando deles se abstém, recebe muitas vezes tristezas e até se enfada se alguém o contradiz.

2. Porém, se alcança o que deseja, sente logo pesar sobre o remorso da consciência, porque seguiu o seu apetite, o qual de nada lhe aproveitou para alcançar a paz que buscava.

É, portanto, na resistência às paixões que se acha a verdadeira paz do coração, e não segui-las. Não há paz no coração do homem sensual, nem no do que se entrega às coisas exteriores, mas no do que é fervoroso e espiritual."

(Imitação de Cristo, Capítulo VI)




"Tuu totus ego sum, et omnia mea tua sunt"

domingo, 10 de maio de 2009

Grito Silencioso

Esse vídeo merece ser visto e repassado. Achei no Contra o aborto e divulgo aqui.



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